Nova Representação: Marga Ledora - Janaina Torres

São Paulo Brasil

Nova Representação: Marga Ledora

12 de março de 2024 | 12:05
A artista Marga Ledora, ao lado de seus desenhos. A artista Marga Ledora, ao lado de seus desenhos.

Anunciamos com alegria a representação de Marga Ledora (São Paulo, 1959), artista que vive e trabalha em Campinas (SP), com formação em Linguística pelo IEL/Unicamp.

Tendo trafegado pela pintura, gravura em metal e fotografia, é no desenho que Ledora expandiu, nas duas últimas décadas, uma poética singular, situando-se entre os artistas que renovam as possibilidades abertas pelos movimentos concreto e neoconcreto brasileiro.

Ledora instaura, nessa tradição, uma geometria instável e fugidia, investindo rigor não na pureza da forma ou da cor, à maneira concreta, mas na investigação e escolha dos materiais e seus efeitos na composição cromática, característica de toda sua obra.

Suas formas, que pairam entre espaços e silêncios, beirando a figuração em imagens de construções arquitetônicas, flores e folhagens, ora se expandem, ora se contém, suspensas por traços irregulares e tons outonais obtidos em giz pastel e grafite (materiais de sua predileção) — sem abrir mão de cores vibrantes, que irrompem em formas ocasionais.

Marga Ledora, Atados (da série Quadrus Negrus), 1987. Grafite e giz pastel seco sobre papel Carmen preto, 70 x 100 cm. Marga Ledora, Atados (da série Quadrus Negrus), 1987. Grafite e giz pastel seco sobre papel Carmen preto, 70 x 100 cm.

A série Quadrus Negrus é um exemplo da elegância e magnitude do trabalho de Ledora. Realizados nos anos 80, os desenhos da série, nunca antes mostrados em conjunto, utilizam papel belga Carmen preto, raríssimo à época da confecção das obras. A negritude e textura do papel amplificam a potência do registro, que se tornou icônico em sua carreira, realçando a arquitetura fugidia e ambivalente dos desenhos e atestando a importância quase obsessiva que a artista dedica à escolha dos pigmentos e suportes.

Imersa no contemporâneo, Ledora nos oferece uma dialética da introspecção e meditação, em meio à turbulência expansiva e caótica de imagens e significados, que domina o mundo atual. Como aponta a curadora Carollina Lauriano, Ledora nos chama ao silêncio e recolhimento, a “habitar o centro do nosso próprio mundo” — uma forma tanto poética, quanto formal, de ensaiar utopias, “um respiro, em meio a um mundo em frangalhos”.

Marga Ledora, Arranjo V, 2022. Giz e grafite aquareláveis sobre papel, 110 x 75 cm. Marga Ledora, Arranjo V, 2022. Giz e grafite aquareláveis sobre papel, 110 x 75 cm.
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